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Luís Filipe Vieira e o défice democrático

Li com muita atenção o texto escrito por Luis Filipe Vieira no jornal Expresso e que foi publicado com o título «Não sou o candidato das elites ou dos notáveis».

Sendo eu apoiante de João Noronha Lopes é natural que discorde dos argumentos apresentados e das tácticas utilizadas. Quem leia e quem ouça o actual Presidente do Benfica fica com a ideia de que Luis Filipe Vieira tem o mundo contra si.

Na verdade, é exactamente o oposto. Há muitos exemplos, mas basta pensarmos na cobertura mediática de Vieira.

Mas, como escrevi é natural a minha discordância. Até aqui nada de novo.

No entanto, há um argumento que foi usado neste texto de opinião que eu gostaria de criticar de forma veemente na qualidade de Benfiquista.

Mesmo passados dez dias da publicação deste texto o meu desassossego não amainou. Aliás, cresceu com tudo o que tem, entretanto, acontecido.

Depois de dar como exemplo o debate entre os candidatos à Casa Branca Luis Filipe Vieira avança desta forma: «nunca me recusei a debater, mas desde o início percebi que a razão dos pedidos não era esclarecer, mas provocar. Para isso não estou disponível».

Eu vou passar à frente do exemplo dos EUA, pois é tão descabido. Estamos a criticar Donald Trump por não respeitar as regras de um debate ou o facto de este ter dito em relação ao segundo debate que seria online que «não iria perder o seu tempo»?

Mas, voltando à frase. Confesso que tive de a ler várias vezes. Primeiro foi a perplexidade e, de seguida, uma enorme tristeza.

Como é possível que o Presidente do meu clube escreva uma frase que poderia ser da autoria de um dos muitos ditadores que existem por esse mundo fora? A lógica de Vieira para não debater é a de quem se arroga o direito de decidir o que é esclarecedor ou não.

É como se, em matéria de debates, Vieira fosse jogador e árbitro.

Luis Filipe Vieira teve um papel importante no reerguer do nosso clube. É um facto. Mas, se dúvidas existissem sobre as consequências da perpetuação no poder estas ficaram esclarecidas.

A cultura de debater com seriedade faz parte da essência da nossa vida democrática, enquanto cidadãos e enquanto sócios. Mais ainda, quando na última semana temos assistido a um corrupio de entrevistas de Luis Filipe Vieira. Tudo menos debater com os outros candidatos.

Conversar com todos menos os outros candidatos não é ser Benfiquista.

Não querer debater não é uma demonstração de força, mas sim de fraqueza. O normal seria um debate com os vários candidatos organizado pelo canal televisivo do meu clube.

Um clube como o nosso não pode ter um Presidente que fundamenta a sua recusa em participar com argumentos que eu encontro todos os dias quando leio sobre Putin ou Erdogan.

Da minha parte aqui fica a recusa em normalizar o que não é normal e em justificar o que não é justificável. Não serei cúmplice da deriva autoritária de Luis Filipe Vieira.

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