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"E depois do adeus?" por Tiago Marques em Benfica Independente

30 de outubro é um dia especial. Todos os dias de Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica o são, na verdade, mas este ainda é mais, pois não é uma Assembleia Geral qualquer. É uma Assembleia Eleitoral.

A primeira nota sobre este período eleitoral foi ver que o Benfica está vivo. 5 potenciais candidatos à presidência do clube era algo que não se via há muito tempo. E mesmo havendo candidatos que não me agradavam desde o inicio, confesso, defendi que assinaria sem problemas, enquanto proponente, a lista de qualquer candidato elegível, e no caso eram 3: João Noronha Lopes, Rui Gomes da Silva e Francisco Benitez.

Não assinaria a candidatura de Bruno Costa Carvalho por não o considerar elegível. Eu sei que os estatutos do Benfica são tenebrosos, mas são o que são e infelizmente foram aprovados por uma série de associados suficiente para que fossem avante. Mas quanto a isso lá iremos. E é não elegível pois não é sócio efetivo há 25 anos e nos estatutos do Benfica não há essa história de direitos adquiridos por já ter sido candidato. Numa correlação com a vida comum, a situação é a seguinte: se alguém se inscrever para tirar a carta de condução aos 18 anos e chumbar no exame de condução, e entretanto a legislação mudar e passar a ser possível tirar a carta apenas aos 21, não é por já se ter apresentado a exame que o candidato o poderá fazer novamente antes dos 21. Parece simples, mas para alguns não o é.

Quando ao candidato presidente, ou presidente candidato, nunca poderia ser proponente da sua candidatura quando, também para mim, não é elegível. Estou à vontade para o dizer, fiz um trabalho sobre o seu número de sócio em 2012 que inclusive já circulou a internet toda, e entreguei à MAG na Assembleia Eleitoral de 2012 o meu protesto relativamente à sua admissão enquanto candidato. Como sou uma pessoa de fortes convicções não poderia mudar de opinião, entretanto. Mas mesmo que o fizesse, e o considerasse elegível, não poderia nunca ser o meu candidato. Mesmo que fosse avaliar apenas o mandato que agora termina, não poderia ser o meu candidato. Porque vai contra tudo aquilo que sempre sonhei e defendi para o meu clube. E não me venham falar em obra porque se é meritório que hoje tenhamos um estádio e um centro de estágio, isso outros clubes também têm. Ideias para o futuro é que não as consigo ver no candidato Vieira, e relativamente à promessa de mandato desportivo, é o que tem sido dito antes de cada período eleitoral. Ou da reabilitação europeia, em que acabamos por fazer 0 pontos na Champions. Ou da aposta na formação para um ano depois já ter sido tudo vendido ou emprestado. Ou do Vieira que diz que seria demagogo fazer um investimento absurdo para depois poder correr mal, e acabar por fazer isso em ano eleitoral e depois falhar a Champions.

Passemos então a Rui Gomes da Silva. Vejo Rui Gomes da Silva como um Benfiquista de coração, nunca o duvidei, e que me marcará para sempre por ter sido a pessoa que me entregou o emblema de prata aquando da minha celebração de 25 anos de sócio do clube. Mas ser Benfiquista não chega. É um upgrade em relação ao que temos hoje em dia, mas não chega. Rui Gomes da Silva é um político profissional, com tudo o que isso traz atrás. Rui Gomes da Silva estava na direção que aprovou os atuais estatutos, que agora critica. E a favor dos quais votou. Rui Gomes da Silva foi eleito em eleições com voto eletrónico em 2008 e em 2012 e na altura não era um problema, coisa que agora é. Logo aqui temos duas situações incríveis no que à coerência diz respeito. Acresce que ver Rui Gomes da Silva e a sua entourage passarem uma campanha eleitoral a levantar suspeitas e poeira em torno dum candidato fez-me riscar definitivamente o nome dele enquanto possível presidente do Benfica. E não só para 2020.

Ainda neste período eleitoral apareceu-nos o Movimento Servir o Benfica encabeçado por Francisco Benitez. Um Movimento onde vi amigos, Benfiquistas insuspeitos, algumas pessoas que gostava mais, outras menos, mas cujo Benfiquismo era inatacável. Não tive oportunidade de o dizer, mas enquanto alguns os chamavam de ingénuos por terem lançado a candidatura enquanto era apresentado Jorge Jesus, eu achei uma manifestação de personalidade pois marcaram desde logo uma posição que seriam eles a defender a sua agenda. Desde o inicio manifestaram que a principal ideia era debater o Benfica e mais perto do ato eleitoral se veria caso fosse possível algum alinhar de ideias. Ideias propostas houve a rodos. Muitas boas. Maioritariamente boas. Muitos os achavam o parente pobre da campanha pela falta de mediatismo e diziam que precisavam de se juntar. Nada mais errado. Tudo tem o seu timing, e Servir o Benfica era debater o Benfica. E foi isso que o movimento permitiu que acontecesse e que continue a acontecer.

Finalmente João Noronha Lopes. Também por saber algumas coisas, foi desde o inicio o meu candidato. Nunca o escondi. Definiu sempre o seu timing, também ele, mesmo quando pressionado a apresentar um projeto. Mas antes de fazer o projeto e programa procurou discutir ideias com os Benfiquistas, foi ao encontro dos mesmos, porque são estes o maior core business do clube. O seu maior ativo. E a seu tempo lá apresentou o programa. Com muitas ideias. Muitas mesmo, tendo tido a hombridade de dizer que nem todas eram dele, de base, mas também de outros candidatos. Não entrou em discussão com quem lançava poeira sobre a sua credibilidade. Procurou convergências com o Servir o Benfica, alcançou e entregou o cargo de representante máximo dos sócios do clube a Francisco Benitez. Maior prova de confiança mútua penso que não poderia haver. E acabou por ser o primeiro candidato a apresentar a sua lista completa de candidatos aos órgãos sociais.

Uma lista que rompe totalmente com o passado recente do desporto (e sobretudo do futebol português). O passado dos esquemas do tugão, resquícios da década de 80, e das trocas de favores constantes. Antes apresentou uma lista repleta de profissionais competentíssimos nas suas áreas profissionais que em nada precisam da publicidade que o cargo de dirigente da maior entidade desportiva nacional lhes confere. Não há listas perfeita, é verdade. Podemos achar que haverá ali uma ou outra pecha, sobretudo para quem, como para mim, as modalidades tanto dizem. Mas até nisto o discurso acaba por ser coerente desde que tenhamos um diretor geral que seja isso mesmo: um verdadeiro diretor geral, e não apenas um cargo para uma ex-glória que ainda o acumula com o posto de treinador de equipa.

E é por tudo isto que eu vou votar João Noronha Lopes. Por um Benfica democrático, por um Benfica moderno, por um Benfica com olhos nas vitórias, por um Benfica que pensa nos adeptos e na sua capacidade de mobilização. Por um Benfica como eu sonhei e como me contavam que sempre havia sido.

Dia 29 será o dia! E às 22:55 será a hora de ouvir Paulo de Carvalho e o seu E Depois do Adeus.

Pois dia 30 terá de ser o dia da nossa libertação.

Dia 30 terá de ser o dia da maior mobilização de sempre num ato eleitoral de clubes em Portugal.

Dia 30 terá de ser o dia de resgatar o que tem de voltar a ser sempre dos sócios.

Dia 30 terá de ser o dia em que os sócios do clube voltarão a mostrar, tal como em 2000, que estão do lado certo da história.

Dia 30 terá de ser o dia do SPORT LISBOA E BENFICA.

Todos às urnas!

Texto enviado pelo benfiquista Tiago Marques em Benfica Independente.

 

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